Por aqui, não se fala em outra coisa. O assunto da vez eh o sistema de saúde.
Você sabia que os Estados Unidos é o único país industrializado que não garante o acesso à saúde como um dos direitos de seus cidadãos? E que é o único país industrializado que não oferecer cobertura universal aos seus cidadãos e residentes?
I’m not a doctor, so don’t quote me. But here’s my 2 cents.
Por aqui, o sistema de saúde se baseia na iniciativa privada. As empresas de plano de saúde comandam o show, contratam lobbystas, oferecem milhões para os mais diferentes candidatos a cargos públicos, negam cobertura pros meros mortais que têm problemas crônicos de saúde, etc. E os planos são caríssimos.
As estimativas do número de americanos (< 65 anos) que não têm plano de saúde variam entre 20 – 30%. Aos 65, americanos qualificam para cobertura do Medicare, que nada mais é que saúde pública para os senior citizens.
A maioria dos americanos usam os planos de saúde oferecidos pelos seus empregadores, já que os custos de se comprar uma apólice individual são proibitivos. O problema é que pequenas empresas e sub-empregos não têm cacife pra bancar plano de saúde, então os empregados ficam sem os seus benefícios. Assim, famílias inteiras ficam sem acesso à saúde.
Eu mesma não recebo benefícios no meu emprego em uma pequena empresa. Tenho plano de saúde porque Matteo é funcionário do estado.
Pois bem, o governo americano finalmente resolver botar a questão do sistema de saúde na mesa. Uma questão que me parece tão simples — o país mais rico do mundo finalmente garantindo saúde de qualidade para todos os seus residentes — criou um alvoroço danado.
Até os meus amigos hippies estão com um pé atrás, com medo do envolvimento do governo na saúde.
Olha, eu cresci no Brasil, onde o sistema de saúde público é uma porcaria, mas tá lá. Se você é pobre, não tem dinheiro pra plano de saúde, pelo menos você tem a opção de ir pr’um posto de saúde. Com sorte, vai ser atendido depois de umas horas. Com mais sorte ainda, ainda vai sair de lá com os remédios que o médico prescreveu.
Aqui, se você é pobre e não tem plano de saúde, vai pra vala. A não ser que tenha alguma clínica local, ONG, que te atenda de graça (ou por muito pouco). Não é o caso da minha cidade, por exemplo.
Lembro do meu marido com uma infecção na garganta, na época sem plano de saúde, gastando algumas centenas de dólares entre consulta particular, exames e remédios. Não é à tôa que a maioria dos que não têm plano de saúde esperam chegar à beira da morte pra poder ir pra emergência — que não é de graça, é claro, mas ninguém pode negar atendimento porque você está na pindaíba e vai certamente dar um calote.
Aliás, precisou de ambulância? Não tem SAMU, não. Chegou uma conta de ambulância aqui em casa outro dia. Mais uma centenas de dólares p’ruma corrida na ambulância até o hospital que fica há 5 minutos daqui.
Ou seja, eu não sou ninguém pra dizer o que os americanos devem fazer do sistema de saúde deles. Sou apenas um rapaz latinoamericano.
Mas, olha, vai me doer o coração de esse pessoal deixar passar essa oportunidade de garantir saúde de qualidade pra todos os cidadão, hein. País mais rico do mundo, minha gente. Eles já gastam mais que qualquer outro país do mundo em um sistema que nem público é!
Eu, hein.