Pois e, esta complicado de aparecer por essas bandas.

Primeiramente, eu estou sem internet em casa. Absurdo, eu sei. Desintoxicacao, digamos. Hoje de manha eu super reparei que nao tinha lido meus emails desde quarta-feira. Enfim, como nos nos mudamos em breve *bate na madeira*, ja comecamos a cancelar alguns servicos – internet/TV a cabo, por exemplo.

Alem disso, eu super gringuei e comecar a trabalhar em um segundo emprego. Sabe como e, preciso pagar o financiamento da casa nova e a racao da Nina. :)

Depois de altos rolos com a casa nova, a gente finalmente conseguiu toda a documentacao, fazer todas as inspecoes, e agora eh soh esperar a burocracia da parte do banco. A entrega das chaves esta agendada para o dia 30 de novembro.

Mal posso esperar pra me mudar pra minha casinha e passar o Natal ja na casa nova. To tao animada que ja sai ate pra comprar os enfeites de Natal pra arvore nova – valeu, pai; valeu, mae; valeu, Brasil!

Enquanto isso, eu continuo procurando um emprego decente na minha area. E o mestrado, que eu to torcendo pra comecar em janeiro.

Encontramos uma casinha para morar.

A casa fica em uma vizinhanca historica da cidade (sim, Matteo resolveu que nao ia morrer se morasse na cidade!), somente uns blocos do museu onde eu e Matteo nos casamos. A rua eh cheia de casa historicas e termina em um lago onde se pode pescar ou andar de caiaque.

Nos temos um contrato na casa e, oxala, fechamos negocio ate o dia 23 de novembro. O processo de compra eh absurdamente complicado – o que explica o meu sumico.

Se der treta no negocio, eu vou chorar. Estamos tao animados com a casa! Ja estou ate escolhendo cor de tinta, oras.

Cruzem os dedos.

Entao, Matteo e eu fomos pre-aprovados pro financiamento imobiliario. O lance agora eh encontrar uma casinha que a gente goste e que caiba no orcamento.

Sentamos, portanto, e definimos as nossas prioridades.

  • 2 – 3 quartos. Menor, ficamos sem espaco pra guardas as nossas coisas. Maior, fica caro pra esfriar/aquecer a casa toda no verao/inverno.
  • Quintal, de preferencia ja cercado. Sabe como eh, minha filha eh canina e precisa de um lugar pra correr.
  • Garagem/oficina. Porque o Matteo tem muita tralha, minha gente, e assim ele fica com a “caverna” dele e eu nao me meto. Ainda serve de espaco pra ensaio, olha que maravilha.
  • Lareira e/ou forno a lenha. Nem eh charme, nao. Eh que a economia em aquecimento durante o inverno eh boa!
  • Meio do nada. Olha a minha cara de quem quer pagar impostos para a cidade, ne. E ainda qualificamos pra incentivos do governo, espero.

Enfim, talvez a tao sonhada casa propria saia ainda esse ano. Infelizmente, a mudanca pra DC foi adiada por tempo indeterminado. Mas nem tudo esta perdido.

Os mercado imobiliario do lado de ca da ponte ta de graca comparado ao de DC. E estaremos perto da familia do Matteo – e eles vao precisar da gente durante o periodo de reabilitacao. E o sonhado mestrado ainda vai rolar, pois sao soh 2,5h de estrada ate DC. Rola de trabalhar part-time e estudar part-time.

*bate na madeira*

Entao, desapareci.

Tentando orgnizar a vida, ne.

No mais, quando nao se tem nada de bom pra dizer, as vezes eh melhor ficar quieto mesmo.

Enfim, talvez eu me mude (de novo) ainda esse ano. Oxala, para a casa propria.

Veremos.

Este e um ganso. Mais precisamente, este e um ganso-do-Canada.

Estas belezinhas migram do Canada para os Estados Unidos nos meses mais frios. Muitos deles acabam por se acostumarem com os laguinhos dessas bandas e nunca mais voltam para o norte.

Nos temos uma trupe de gansos residentes aqui no meu condominio. Vou te contar, e uma delicia poder ver essas belezinhas todos os dias pela manha. Virei fa dos gansos-do-Canada, viu.

E a Nina tambem.

Nina descobriu uma nova iguaria. Pois e, ela agora anda afobada pelas calcadas atras de coco de ganso. Me da um desespero quando vejo a Nina lambendo a calcada, ja sei ate o motivo.

Achei que tivesse chegado ao fundo do poco com as maluquices do meu cachorro.

Ate que hoje nos fomos levar a Nina pra passear na beira do lago. Toda serelepe, toda feliz, rolando na grama.

Grama?

A animacao toda era por conta — imagine — de coco de ganso na grama.

Nina rolando na bosta de ganso alegremente.

Pois e, atrasada, tive que ir correndo limpar coco de ganso-do-Canada do pelo do meu cachorro antes que ela resolvesse subir no sofa ou na cama do quarto de hospedes.

Seriao, cara.

(Fim.)

Tá, eu tinha planejado um bafão no Rio de Janeiro pro final do ano.

Isto é, antes de eu descobrir que a passagem ida e volta pro Rio ia me custar uns 1.300 dólares. Vezes dois, né.

Meio que não adianta ir pro Brasil se não for pra passar Natal e/ou Ano Novo, já que a minha família nem no Rio de Janeiro estará se eu aparecer por lá randomicamente em dezembro ou janeiro.

E o mestrado começa dia 11 de janeiro.

Ou seja,

Sei não.

Seriam 2.600 dólares pra ir pro Rio de Janeiro na alta estação. Como a demanda por rins no mercado negro tá em baixa, acho que não rola gastar esse dinheiro todo (que eu não tenho) não.

Por outro lado,

Dá pra passar 6 noites em Praga por 1.200 dólares (os dois). Ou 6 noites entre Praga e Budapeste por 1.600. Ou alugar uma casa de campo na Irlanda por uma semana por menos de 800 (os dois).

Quer dizer,

O mundo está conspirando contra a minha ida para o Rio de Janeiro.

Por aqui, não se fala em outra coisa. O assunto da vez eh o sistema de saúde.

Você sabia que os Estados Unidos é o único país industrializado que não garante o acesso à saúde como um dos direitos de seus cidadãos? E que é o único país industrializado que não oferecer cobertura universal aos seus cidadãos e residentes?

I’m not a doctor, so don’t quote me. But here’s my 2 cents.

Por aqui, o sistema de saúde se baseia na iniciativa privada. As empresas de plano de saúde comandam o show, contratam lobbystas, oferecem milhões para os mais diferentes candidatos a cargos públicos, negam cobertura pros meros mortais que têm problemas crônicos de saúde, etc. E os planos são caríssimos.

As estimativas do número de americanos (< 65 anos) que não têm plano de saúde variam entre 20 – 30%. Aos 65, americanos qualificam para cobertura do Medicare, que nada mais é que saúde pública para os senior citizens.

A maioria dos americanos usam os planos de saúde oferecidos pelos seus empregadores, já que os custos de se comprar uma apólice individual são proibitivos. O problema é que pequenas empresas e sub-empregos não têm cacife pra bancar plano de saúde, então os empregados ficam sem os seus benefícios. Assim, famílias inteiras ficam sem acesso à saúde.

Eu mesma não recebo benefícios no meu emprego em uma pequena empresa. Tenho plano de saúde porque Matteo é funcionário do estado.

Pois bem, o governo americano finalmente resolver botar a questão do sistema de saúde na mesa. Uma questão que me parece tão simples — o país mais rico do mundo finalmente garantindo saúde de qualidade para todos os seus residentes — criou um alvoroço danado.

Até os meus amigos hippies estão com um pé atrás, com medo do envolvimento do governo na saúde.

Olha, eu cresci no Brasil, onde o sistema de saúde público é uma porcaria, mas tá lá. Se você é pobre, não tem dinheiro pra plano de saúde, pelo menos você tem a opção de ir pr’um posto de saúde. Com sorte, vai ser atendido depois de umas horas. Com mais sorte ainda, ainda vai sair de lá com os remédios que o médico prescreveu.

Aqui, se você é pobre e não tem plano de saúde, vai pra vala. A não ser que tenha alguma clínica local, ONG, que te atenda de graça (ou por muito pouco). Não é o caso da minha cidade, por exemplo.

Lembro do meu marido com uma infecção na garganta, na época sem plano de saúde, gastando algumas centenas de dólares entre consulta particular, exames e remédios. Não é à tôa que a maioria dos que não têm plano de saúde esperam chegar à beira da morte pra poder ir pra emergência — que não é de graça, é claro, mas ninguém pode negar atendimento porque você está na pindaíba e vai certamente dar um calote.

Aliás, precisou de ambulância? Não tem SAMU, não. Chegou uma conta de ambulância aqui em casa outro dia. Mais uma centenas de dólares p’ruma corrida na ambulância até o hospital que fica há 5 minutos daqui.

Ou seja, eu não sou ninguém pra dizer o que os americanos devem fazer do sistema de saúde deles. Sou apenas um rapaz latinoamericano.

Mas, olha, vai me doer o coração de esse pessoal deixar passar essa oportunidade de garantir saúde de qualidade pra todos os cidadão, hein. País mais rico do mundo, minha gente. Eles já gastam mais que qualquer outro país do mundo em um sistema que nem público é!

Eu, hein.

Vendido.

O cara que comprou era um mexicano, gente boa, mas com cara de quem nao era assim exatamente legalizado aqui na terra do tio Sam. Falava nada de ingles, entao eu tive que ir la traduzir cheia de vinho nas ideias.

Falou que ia levar o carro pra fazer o licenciamento na Florida… Entao ta.

Cada um com seus problemas.

Sitting area quase completa, e por só 30 dólares!

(Ok, voltando ao início da história.)

A casa nova é bem maior que a antiga, e a gente ainda se desfez de um monte de coisa velha da casa antiga. Resultado, casa “vazia”.

Resolvemos fazer uma área pra ler/tocar violão num canto da sala. Nós tínhamos um lindo banco de piano que queríamos usar como mesinha. O lance era comprar uma ou duas cadeiras.

Pois hoje fomos passear pelas lojar de antiguidades e encontramos uma cadeira sem preço da loja de uma conhecida. E agora ela é nossa por 10 dólares!

A única coisa a fazer era comprar tecido pra almofada — o que veio era velho e não combinava com as cores da sala. Fomos à loja de tecidos e — voilá — encontramos o tecido com a estampa perfeita por só 3 dólares!

Pra arrematar, um lindo porta-retratos com uma foto do casamento na parede que custou 15 dólares — comprado com 50% de desconto.

Ou seja, cantinho completo por menos de 30 dólares.

:)

Ainda tô pensando se compro mais uma cadeira…

Só que já passou por um susto desses que entende a significância de umas poucas frases completas, de uns nomes, de uns sorrisos, de umas frustrações.

Pois hoje eu ouvi algo assim:

– Will you come by tomorrow?

– Yes.

– Tomorrow will be a pretty day.

Depois disso, arrancou a minha bolsa do meu colo, cavucou até achar o celular e ligou para o Matteo.

Então veio a hora da terapia com o doutor gostosão e ela, safada, logo me mandou embora.

A vida é feita dessas pequenas coisas.

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