January 2009


Ontem completamos 1 mês de casados, fato que teria passado batido se minha avó não tivesse me parabenizado. Pois bem, nos embebedamos para comemorar, e hoje acordei com uma ressaca bizarra.

Vou deitar no sofá que tá foda. Não bebo assim há muito tempo. Tô fora de forma!

Acordei com a neve caindo lá fora, e saí correndo com a Nina. Ela adora brincar na neve, fica comendo/lambendo do chão. Corre de um lado pro outro, se estabaca, uma coisa. E eu, legítima brasileira, não canso da neve. It never gets old, tipo os esquilos.

Parou de nevar. Agora vem o gelo!

Estamos em alerta. A faculdade fechou, e acho que só funcionários essenciais vão pro trabalho amanhã de manhã. O governo não quer nego sofrendo acidente tentando enfrentar o gelo na rua para ir pro trabalho, né. Maridão não vai ter folga, provavelmente.

Enquanto isso, vou esperando a primaveira chegar com as más e, talvez, boas notícias.

American planes, full of holes and wounded men and corpses took off backwards from an airfield in England. Over France, a few German fighter planes flew at them backwards, sucked bullets and shell fragments from some of the planes and crewmen. They did the same for wrecked American bombers on the ground, and those planes flew up backwards to join the formation.

The formation flew backwards over a German city that was in flames. The bombers opened their bomb bay doors, exerted a miraculous magnetism which shrunk the fires, gathered them into cylindrical steel containers, and lifted the containers into the bellies of the planes. The containers were stored neatlty in racks. The Germans below had miraculous devices of their own, which were long steel tubes. They used them to suck more fragments from the crewmen and planes. But there were still a few wounded Americans, though, and some of the bombers were in bad repair. Over France, though, German fighters came up again, made everything and everybody as good as new.

* * *

When the bombers got back to their base, the steel cylinders were taken from the racks and shipped back to the United States of America, where factories were operating night and day, dismantling the cylinders, separating the dangerous contents into minerals. Touchingly, it was mainly women who did this work. The minerals were then shipped to the specialists in remote areas. It was their business to put them into the ground, to hide them cleverly, so they would never hurt anybody ever again.

The American fliers turned in their uniforms, became High School kids. And Hitler turned into a baby, Billy Pilgrim supposed. That wasn’t in the movie. Billy was extrapolating. Everybody turned into a baby, and all humanity, without exception, conspired biologically to produce two perfect people named Adam and Eve, he supposed.

 

Passagem que me deixou boquiaberta no livro de Kurt Vonnegut que eu acabei de ler.  O título em inglês é Slaughter-House-Five, e eu não encontrei tradução pro Português no meu Google relâmpago. Deve existir, sei lá.

Muito bom.

Presente de casamento, inclusive, porque eu só tenho amigos fodas. O maridão está lendo o outro, Jitterbug Perfume (Tom Robbins). Lerei em breve.

Enquanto isso, a fila anda. Na mesa de cabeceira está Empire’s Workshop: Latin America, the United States and the Rise of the New Imperialism (Greg Grandin). Ainda estou no primeiro capítulo, mas a premissa parece ser a seguinte: a doutrina Bush, tão comumente associada aos neo-cons, não é original. Essa doutrina, de uma ou outra forma, tem sido aplicada pelos EUA na América Latina há mais de dois séculos. A política externa para a América Latina seria, na verdade, a origem dessa doutrina.

Interessante, no mínimo. Muito bem recomendado. Mais 230 páginas e eu volto para contar o que achei.

Momento histórico: inauguração de oficial da polícia de Houston, TX em Washington, DC. Milhões de pessoas comparecem à capital para ver os pássaros. Um avião cai nos trilhos do metrô, e não há tempo de retirá-lo antes que o trem o atropele. O novo presidente, que passava por ali, empurra o avião para baixo da plataforma, salvando o dia. Enquanto isso, uma senhora escorrega e cai no rio Hudson, e é salva por uma multidão de barcas e catamarãs. Sua bolsa é encontrada no fundo do rio, e penas e restos de pássaros são encontrados em seus pertences. Ela, aparentemente, foi derrubada por um pássaro dentro das águas congelantes do rio nova iorquino, mas se encontra bem.

(Assistir CNN o dia inteiro me deixa muito confusa, às vezes.)

Deve estar acontecendo nada no mundo, né, porque a CNN ainda está fazendo fumaça em torno de umas notícias da semana passada e por conta do ataque ao jardim de infância lá nos subúrbios de Bruxelas — que, se não prestar bastante atenção nas notícias, parece que foi na cidade aqui do lado. Nego surtando por conta de uma parada que rolou na Bélgica, país que a maioria por aqui não conseguiria encontrar no mapa. Não que eu não seja solidária, só estranho essa cobertura toda aos homicídios belgas quando nego tá se matando aqui na minha cidade e a vida segue. Vai ver é porque essas coisas são muito raras na Bélgica, e é um sinal do fim do mundo. As pessoas se matam aqui todo dia, então não é notícia. Então tá. Uma coisa meio Rio de Janeiro, né.

Eu queria CNN Internacional, isso sim. CNN local ignora o mundo por essas bandas — cobrem a mulher que caiu no metrô exaustivamente, elevam o piloto a super-homem, e não deixam o novo presidente em paz. Enquanto isso, o resto do mundo continua na mesma, né, porque é só aqui que coisas relevantes (tipo, gente cair no metrô e sair ilesa) acontece. Tipo, caguei pro piloto que fingiu a própria morte, gente.

(Acordei ácida.)

Busco porão.

Um canto onde caibam meus encantos e meus tesouros. Pet-friendly, double occupancy. Perto do metrô, de preferência.

Busco estágio/emprego também.

I’ve never been so excited and oh so terrified in my entire life. I gotta relax and go with the flow. I gotta do something. I can’t just sit here forever, right? But I can’t just get up and go either.

It’s not snowing today.

I just watched a squirrel eat a whole sausage. It seemed happy.

My sunflower is back in the living room and I suddently don’t feel so alone anymore.

I wish it was snowing today. I would feel better about just sitting here while the world keeps turning. Snow is just a gentle kind of rain, really. It calls for hot chocolate, comfort food, movies and some cuddling.

We always knew it was gonna feel like this, and we still did it anyway.

I wouldn’t have it any other way.

Mestre-cuca aqui vai dar mais uma receita.

Frango ao molho mostarda: temperar peito de frango com sal e pimenta, e grelhar em manteiga ou margarina. Quando estiver no ponto (rosa = cru), retirar o frango da frigideira e reservar. Adicione vinho branco seco (2/3 de xícara), caldo de galinha (1/2 xícara) e cebola (1/4 de xícara) à frigideira. Deixar ferver até reduzir o líquido a 1/4 de xícara. Daí é hora de engrossar o molho, adicionando um pouco de farinha de trigo dissolvida em leite (tipo, 1 colher de sopa em 1/4 de xícara) e adicionar mais manteiga (ou margarina). Para finalizar, adicione 1 colher de sopa de salsinha e 2 de colheres de chá de mostarda dijon. Só colocar em cima do peito de frango. Dá pra de 2 a 4, dependendo de quanto molho você ponha.

Para acompanhar, maridão, luz de velas e duas garrafas de champagne.

Estou à caminho dos Correios com o meu humilde pacotinho. Dentro, dois históricos oficiais e lacrados da Salisbury University, uma cópia do histórico da PUC e da tradução juramentada, 2 cartas de recomendação (uma terceira no correio separadamente), e o meu currículo com uma página de rosto muito bem redigida.

Agora vai, pacotinho, e me garante lá na George Mason, k?

***

Caso você esteja na faculdade: mantenha um registro de todos os seus trabalhos. Na hora de montar o seu currículo para a pós-graduação, eles vão querer ver qual é a sua. Lá na PUC, todo mundo vivia me sacaneando porque eu só escrevo sobre variações do mesmo tema. Vou te dizer, acontece que agora dá pra ver claramente pelo meu currículo (com referência aos trabalhos entregues/apresentados) qual é a minha linha de pesquisa. Por outro lado, parece que eu fiquei lagarteando por 3 anos na PUC porque eu, obviamente, não tenho cópia de todos os meus trabalhos. Enquanto tenho uma lista enorme em 1,5 ano de Salisbury, a lista é bem menor para 3 anos de PUC — não que eu tenha escrito muito menos, eu simplesmente não tenho registro dos malditos trabalhos, e nem vou lembrar a essa altura do campeonato, né.

Fica a dica.

***

“E o feijão, Helena?”, você deve estar se perguntando. Ficou uma delícia!

Coloquei o feijão de molho de manhã, e lá pelas 5h PM coloquei o bem-dito na panela de pressão gringa boladona com água limpa. A água ficou uns 3 dedos acima do dito-cujo. Coloquei 3 folhas de louro, e uma linguiça muito doida que encontrei no supermercado. Wal-mart não vende paio (sp?), né. Cozinhei por uns 40 minutos. Na frigideira, refoguei bacon de peru — que quase não tem caloria! — no azeite, alho e cebola. Daí um daqueles cubos de caldo de carne — que, na verdade, não era cubo, e era presunto. Misturei umas conchas do feijão ao refogado, e coloquei tudo de volta na panela de pressão por uma meia hora.

Já sei fazer feijão. Tô gente grande!

(A receita é uma variação do que eu lembrei da receita da minha mãe — que me foi passada pelo telefone enquanto eu caminhava pelo supermercado e pegava os ingredientes das prateleiras. Digamos, assim, uma releitura. Mamãe ficaria orgulhosa.)

 

Estava assisindo CNN, como de costume, quando Rick Sanchez entrevistou duas meninas da minha idade. Ambas nasceram e cresceram nos Estados Unidos. A família de uma, Palestina; da outra, Israelense. 

Ele perguntou porque o povo de uma odeia o povo da outra. Elas vomitaram o discurso clássico: a família de uma foi expulsa de suas terras no sul de Israel sem qualquer tipo de compensação, foi realocada em Gaza, e hoje sofre com o embargo de Israel; a outra disse que as terras foram compradas, mas Palestinos nunca as abandonaram, e por isso foram expulsos, e que Hamas é uma organização terrorista, não importa se foi democraticamente eleita ou não.

E foi assim que terminou a entrevista. Nada perto de um mútuo entendimento, na-da. As duas são representantes de uma nova geração de futuros líderes e, infelizmente, não trazem nenhuma esperança para o fim desse histórico conflito.

Eu tô longe de entender as idiossincrasias desse conflito e da região. Mas, em geral, sou da turma dos que acham que violência não é uma ferramenta legítima de política externa (salvo em situações particulares) e que é a nossa obrigação garantir que se torne também uma ferramente obsoleta.

(Certa vez, enquanto debatíamos um trabalho que eu apresentei em uma das minhas aulas, um dos meus colegas de classe me disse ninguém sai vencedor de uma guerra. Eu discordei porque eu estava me referindo à intervenções humanitárias, mas eu entendo que ele estava se referindo à conflitos inter-estatais. Ele, um senhor de uns setenta anos e veterano de guerra, não vê como pode haver um vencedor em uma situação que envolve perdas de vidas, colapso infra-estrutural, etc. Ele, hoje com problemas de locomoção dado à uma ferida de guerra, tem orgulho de ter servido o país dele, mas não se sente vitorioso. Esse oficial aposentado das forças armadas voltou para a escola para ensinar a crianças como eu como é o mundo lá fora.)

Três semanas de casada.

A casa está com um cheiro delicioso de feijão. Matteo está querendo convidar meio-mundo para provar essa iguaria brasileira, e a Nina tá ficando maluca com o cheiro de linguiça no ar. E eu torcendo para dar tudo certo. Vinte e quatro anos na cara, e nunca cozinhei um feijão na vida. As mulheres da família ficariam orgulhosas.

Já eu, só no “Oxalá que não fique uma bosta.”

Uma hora eu tenho que parar com os assustos mulherzinhas/acadêmicos/existenciais e começar a fazer alguma coisa com o meu tempo. 

Pô, tem uma entrevista maneira que eu vi hoje na CNN… Não fosse o feijão no fogo eu contava a da parada.

PS: Eu confesso que uso uma rice cooker. Estou apaixonada, e não vivo mais sem. Compramos por uns $10, os dez dólares mais bem gastos de toda a minha vida. Não sei como que o lance ainda não ficou popular no Brasil, cara.

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