August 2009


Tá, eu tinha planejado um bafão no Rio de Janeiro pro final do ano.

Isto é, antes de eu descobrir que a passagem ida e volta pro Rio ia me custar uns 1.300 dólares. Vezes dois, né.

Meio que não adianta ir pro Brasil se não for pra passar Natal e/ou Ano Novo, já que a minha família nem no Rio de Janeiro estará se eu aparecer por lá randomicamente em dezembro ou janeiro.

E o mestrado começa dia 11 de janeiro.

Ou seja,

Sei não.

Seriam 2.600 dólares pra ir pro Rio de Janeiro na alta estação. Como a demanda por rins no mercado negro tá em baixa, acho que não rola gastar esse dinheiro todo (que eu não tenho) não.

Por outro lado,

Dá pra passar 6 noites em Praga por 1.200 dólares (os dois). Ou 6 noites entre Praga e Budapeste por 1.600. Ou alugar uma casa de campo na Irlanda por uma semana por menos de 800 (os dois).

Quer dizer,

O mundo está conspirando contra a minha ida para o Rio de Janeiro.

Por aqui, não se fala em outra coisa. O assunto da vez eh o sistema de saúde.

Você sabia que os Estados Unidos é o único país industrializado que não garante o acesso à saúde como um dos direitos de seus cidadãos? E que é o único país industrializado que não oferecer cobertura universal aos seus cidadãos e residentes?

I’m not a doctor, so don’t quote me. But here’s my 2 cents.

Por aqui, o sistema de saúde se baseia na iniciativa privada. As empresas de plano de saúde comandam o show, contratam lobbystas, oferecem milhões para os mais diferentes candidatos a cargos públicos, negam cobertura pros meros mortais que têm problemas crônicos de saúde, etc. E os planos são caríssimos.

As estimativas do número de americanos (< 65 anos) que não têm plano de saúde variam entre 20 – 30%. Aos 65, americanos qualificam para cobertura do Medicare, que nada mais é que saúde pública para os senior citizens.

A maioria dos americanos usam os planos de saúde oferecidos pelos seus empregadores, já que os custos de se comprar uma apólice individual são proibitivos. O problema é que pequenas empresas e sub-empregos não têm cacife pra bancar plano de saúde, então os empregados ficam sem os seus benefícios. Assim, famílias inteiras ficam sem acesso à saúde.

Eu mesma não recebo benefícios no meu emprego em uma pequena empresa. Tenho plano de saúde porque Matteo é funcionário do estado.

Pois bem, o governo americano finalmente resolver botar a questão do sistema de saúde na mesa. Uma questão que me parece tão simples — o país mais rico do mundo finalmente garantindo saúde de qualidade para todos os seus residentes — criou um alvoroço danado.

Até os meus amigos hippies estão com um pé atrás, com medo do envolvimento do governo na saúde.

Olha, eu cresci no Brasil, onde o sistema de saúde público é uma porcaria, mas tá lá. Se você é pobre, não tem dinheiro pra plano de saúde, pelo menos você tem a opção de ir pr’um posto de saúde. Com sorte, vai ser atendido depois de umas horas. Com mais sorte ainda, ainda vai sair de lá com os remédios que o médico prescreveu.

Aqui, se você é pobre e não tem plano de saúde, vai pra vala. A não ser que tenha alguma clínica local, ONG, que te atenda de graça (ou por muito pouco). Não é o caso da minha cidade, por exemplo.

Lembro do meu marido com uma infecção na garganta, na época sem plano de saúde, gastando algumas centenas de dólares entre consulta particular, exames e remédios. Não é à tôa que a maioria dos que não têm plano de saúde esperam chegar à beira da morte pra poder ir pra emergência — que não é de graça, é claro, mas ninguém pode negar atendimento porque você está na pindaíba e vai certamente dar um calote.

Aliás, precisou de ambulância? Não tem SAMU, não. Chegou uma conta de ambulância aqui em casa outro dia. Mais uma centenas de dólares p’ruma corrida na ambulância até o hospital que fica há 5 minutos daqui.

Ou seja, eu não sou ninguém pra dizer o que os americanos devem fazer do sistema de saúde deles. Sou apenas um rapaz latinoamericano.

Mas, olha, vai me doer o coração de esse pessoal deixar passar essa oportunidade de garantir saúde de qualidade pra todos os cidadão, hein. País mais rico do mundo, minha gente. Eles já gastam mais que qualquer outro país do mundo em um sistema que nem público é!

Eu, hein.

Vendido.

O cara que comprou era um mexicano, gente boa, mas com cara de quem nao era assim exatamente legalizado aqui na terra do tio Sam. Falava nada de ingles, entao eu tive que ir la traduzir cheia de vinho nas ideias.

Falou que ia levar o carro pra fazer o licenciamento na Florida… Entao ta.

Cada um com seus problemas.

Sitting area quase completa, e por só 30 dólares!

(Ok, voltando ao início da história.)

A casa nova é bem maior que a antiga, e a gente ainda se desfez de um monte de coisa velha da casa antiga. Resultado, casa “vazia”.

Resolvemos fazer uma área pra ler/tocar violão num canto da sala. Nós tínhamos um lindo banco de piano que queríamos usar como mesinha. O lance era comprar uma ou duas cadeiras.

Pois hoje fomos passear pelas lojar de antiguidades e encontramos uma cadeira sem preço da loja de uma conhecida. E agora ela é nossa por 10 dólares!

A única coisa a fazer era comprar tecido pra almofada — o que veio era velho e não combinava com as cores da sala. Fomos à loja de tecidos e — voilá — encontramos o tecido com a estampa perfeita por só 3 dólares!

Pra arrematar, um lindo porta-retratos com uma foto do casamento na parede que custou 15 dólares — comprado com 50% de desconto.

Ou seja, cantinho completo por menos de 30 dólares.

:)

Ainda tô pensando se compro mais uma cadeira…

Só que já passou por um susto desses que entende a significância de umas poucas frases completas, de uns nomes, de uns sorrisos, de umas frustrações.

Pois hoje eu ouvi algo assim:

– Will you come by tomorrow?

– Yes.

– Tomorrow will be a pretty day.

Depois disso, arrancou a minha bolsa do meu colo, cavucou até achar o celular e ligou para o Matteo.

Então veio a hora da terapia com o doutor gostosão e ela, safada, logo me mandou embora.

A vida é feita dessas pequenas coisas.

Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

_____

Above all, I’ll be attentive to my love
And with such ardor, and always, and so much
That even faced with great enchantment
My thoughts be more enchanted by it.

I want to live it in each vain moment
And in its honor I shall spread my song
And laugh my laughter and shed my tears
In its sorrow or joy.

And thus, when later I am sought
Perhaps by death, anguish for those who live
Perhaps by solitude, end for those who love

I could tell myself of the love (I had):
Let it not be immortal, since it is flame
But let it be eternal while it lasts.

***

Yes, I do apologize for the unworthy translation. The things one will do for love.

(Macaquinho, here’s a short and sweet Portuguese lesson for you.)

Opa, virei residente permanente desse belo estado da Marilândia há 1 mês e já fui pré-selecionada pra servir em um júri em 2010. Excelente!

Pânico.

Veja bem, olha que atraso de vida ter que faltar o trabalho pra ter que ir servir no júri e ganhar 10 dólares.

Tive que responder um questionário básico. Saquei que me livrei de ser chamada já na primeira pergunta.

Não, eu não sou cidadã americana.

Vou lá colocar o meu questionário no correio sem medo porque, mesmo que eu seja sorteada, eu não faço o requisito. \o/

O Sammy, coitado, bateu as botas. Nunca tinha visto um peixe Beta durar 1 ano e meio. Infelizmente, o Samuel andou mais pra lá do que pra cá nos últimos meses. Ele não sobreviveu à mudança — morreu no dia D.

Hoje, Matteo resolveu me levar pra ir “resgatar” outro Beta do walmart. Quem já viu as condições dos peixes do walmart entende que se trata de um resgate mesmo, e foi assim que o Samuel foi parar no meu dormitório.

Enfim, Leslie é o mais novo membro da família. Matt é contra o nome Leslie porque é nome de menina, então pode ser que o peixe seja batizado de outra coisa no futuro.

Espero que ele sobreviva aos primeiros dias. Se for como o finado Samuel, vai ficar com a gente por um bom tempo!

<cheesy>

Feliz aniversário, macaquinho!

I’m sorry that this year’s b-day is gonna be kinda crappy. You know, with the whole sister-in-law-leaving-the-country thing going on today. So I thought I’d make it somewhat better by leaving you a few surprises to find.

This should be #1 if all goes according to plan. Or #2 if you happen to find your card first.

(Not that there’s an actual plan.)

Anyway, I’m not going to say that I hope you have a lot of fun on your birthday because, well, you’re not. Most likely, we’ll be crying our eyeballs out. But that’s not the point.

The point is that you’re gonna be there for me, as you always have. And you couldn’t be there for me if a little red-haired, mischievious devil hadn’t been born 26 years ago today.

So, yes, there’s still reason to celebrate on this day also filled with blues. I’m celebrating the simple fact that you’re here, that you’ve been here for the past year, and that you’ll be here for another one.

I love you.

</cheesy>

No homo.

Love,

The Mrs.

A varanda do apê novo é menor que a antiga, mas a paisagem compensa: rio, gansos, peixinhos, tartarugas, árvores. Bem melhor que a antiga vista do estacionamento. Aliás, melhor ainda que a vista de estádio de futebol.

Estaria a vida entrando nos eixos?

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